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    Do caderno de anotações: Artes Cênicas & Negócios

    Compartilho aqui algumas frases que anotei no segundo dia do Encontro Artes Cênicas e Negócios, com livre tradução minha. Da voz dos curadores, ouviu-se a experiência de organização e da relação com os artistas; dos investidores e empreendedores, relatos de negócios.

    Esse mosaico de frases provoca o teatro enquanto empreendimento e revela, também, a dimensão da paixão pela arte.

    De Mark Russell, curador do Under the Radar, de NY:

    “O festival é um ponto de encontro. Costumo falar para as pessoas que participam: esqueçam as regras durante os dias de festival. Não há regras. É um pouco como o carnaval”

    “O boca-a-boca vale muito. Um artista ou um espectador que chega em casa, conte para outro o que viu. O boca-a-boca traz gente, faz um festival.”

    “Acho necessário que o festival coloque artistas famosos e iniciantes no mesmo patamar. No espaço do festival, todos se apresentam da mesma forma horizontal.”

    Bernard Faivre d’Arcier, curador da Bienal de Lyon e antigo curador do Festival de Teatro de Avignon:

    “Lúdico e gratuito são dois termos que acabam com a indústria.”

    Eva Doris Rosenthal, Superintendente de Artes / Secretaria de Cultura da Cidade do Rio de Janeiro:

    “Eu amo o César, a Márcia e a Bia.”

    Fernando Campos, da Aventura Entretenimento:

    “Os musicais foram capa da revista Meio e Mensagem e a gente começou a chorar de emoção. O que a Aventura apresenta para o mercado é muito mais que um produto, é uma idéia, uma plataforma.”

    “Por isso, estamos investindo em musicais brasileiros, na plataforma Brasil, com os espetáculos Elis, Chacrinha, Se eu fosse você.”

    Carmen Romero, curadora do Festival Santiago a Mil:

    “Organizar um festival é um ato de amor ao teatro”

    “Nós, do Festival de Santiago, queremos ser a porta de entrada para o teatro latino, que se faz na América do Sul. Desculpe, brasileiros, mas queremos.”

    Geraldo Neto, investidor do Gávea Angels:

    “A proposta é ninguém perder. A questão da entrega é fundamental. Você tem que correr tanto risco quanto o seu financiador.”

    “Quando vamos avaliar em que investir, vemos em primeiro lugar o empreendedor: quem é, qual é a sua experiência e a sua qualificação. Em segundo lugar, avaliamos o projeto. Em terceiro, a capacidade de ouvir.”

    “Nenhum projeto começa de um jeito e segue igual até o final.”

    Maria Arlete Gonçalves, diretora da MAG Consultoria:

    “Demorou, hein, teatro. Demorou para discutir arte e negócio.”

    “O elemento fundamental é o respeitável público. E o teatro não se beneficia do que qualquer marketing quer, que é estar perto do seu público, do seu consumidor.”

    “O mercado não está fora do público. O público quer e pode exercer o seu direito de escolha.”

    “As novas tecnologias mudam a relação do público com as artes. A música, o cinema e a literatura já estão com o foco nas plataformas digitais. E o teatro?”

    “Por que há mais juventude no palco do que na platéia? Por que o teatro continua sendo o lugar do novo, da vanguarda, da expansão, mas as platéias não o acompanham?”

    Categorias: Blog. Tags: Bernard Faivre d’Arcier, Carmen Romero, carrossel, Maria Arlete Gonçalves e Mark Russell.