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_PRISÃO CONJUGAL

28 de julho de 2010

Nada de laços, nada de laços – dizia Estragon em “Esperando Godot”, de Beckett. Ali instalava-se a situação oposta do que propõem alguns artistas: neste post exploramos o universo de Tehching Hsieh, Takeshi Kitano e Wong Kar Wai, três artistas asiáticos cujo ponto de encontro são os laços.

Tehching Hsieh
, antes de mais nada, é um artista plástico taiwanês que baseia suas performances no próprio tempo de duração que elas terão. Seu site já diz tudo: One Year Performance (Performance de Um Ano). Entre diversos trabalhos que lhe tomaram um ano de vida (e que culminaram numa recessão artística planejada de 13 anos, de 1986 a 1999) está a performance Art/Life na qual Tehching liga-se à artista Linda Montano com uma corda e “vive” esta experiência durante um ano. Como diz a introdução de sua entrevista, não há ninguém que possa falar melhor da obra do que os dois artistas. E ele diz (em tradução livre):

” (…) A maior parte do meu trabalho trata das “lutas” da vida. (…) A ideia para esta obra veio dos problemas de comunicação entre as pessoas. Eu sinto que esta é sempre minha luta. Então quis fazer um trabalho sobre os humanos e a luta de viver com o outro. Estar amarrado a outra pessoa dá a ideia bem clara disso, pois para sobrevivermos estamos amarrados aos outros. Não podemos viver sozinhos, sem outras pessoas. Por sermos indivíduos, cada um tem sua própria ideia de algo que quer realizar. Mas estamos juntos. Então nos tornamos a jaula do outro. Brigamos porque todos querem se sentir livres. Não nos tocamos, e isso nos ajuda a estarmos conscientes que esta relação conecta os indivíduos, mas que indivíduos são independentes. (…)”


Tehching Hsieh e Linda Montano em Nova Iorque, 1983-1984

A cena criada originalmente por Hsieh, reaparece poeticamente (apesar da obra original ser poética, ela carregava toda o conflito que aconteceu naturalmente entre os artistas) nos personagens de Dolls, filme de 2002 do diretor japonês Takeshi Kitano. No filme, Sawako e Matsumoto são um casal apaixonado, até que a família de Matsumoto o força a casar com outra mulher, enquanto seu amor tenta cometer suicído. A tentativa deixa Sawako em estado catatônico e o casal se liga através de uma corda enquanto vaga sem destino pelas incríveis paisagens do Japão.

Em um campo mais situacional, o diretor chinês Wong Kar Wai conta a história de dois amantes que visitam as Cataratas do Iguaçu e decidem viver uma nova vida em Buenos Aires. O laço aqui vem na forma da língua e do afeto e repulsa que o casal desenvolve sob tais condições. Kar Wai também trancafia os personagens em um cortiço argentino e em cenas voyeurísticas da relação. O filme de 1997 se chama Felizes Juntos. O trailer, aqui abaixo:

Processos Blogs

O outro. Na escuta …então ele tinha que começar, começou e não parou mais… e começou a olhar e o que olhava colava na retina e dali ele ainda olhava e a retina era o que ele olhava e o que ele olhava estava agora por dentro, refletindo como um lençol de prata, como o nitrato de prata da película do cinema.

Colasanti abandona o alter-ego e assume a materialidade de seu corpo, sua subjetividade e história como objeto e matéria-prima na atual fase de seu projeto autoral. Com “Nana”, explora o gênero auto-ficção - narrrativas inventadas mescladas a narrativas pessoais - a partir de diferentes estéticas como reality show, blog, vídeo-diário e vídeoperformance.

Desde Duchamp, os conceitos e significados contidos no termo “obra de arte” foram ampliados de forma significativa. Iniciava-se um tempo de criação de novos movimentos e de reinvenção das chamadas ações artísticas. Vimos nascer as performances, as intervenções urbanas, os flash mobs, e se esvaírem as fronteiras entre as noções de ‘arte’ e ‘não-arte’.

O processo da ocupação CÂMBIO do Teatro Glaucio Gill é acompanhado do blog, que inclui informações, vídeos, fotos e outros conteúdos sobre o teatro e todos os eventos realizados junto à ocupação do teatro.

Processo da peça "Os Visitantes", que estreia dia 8 de setembro no Teatro Gláucio Gill. Dirigido por Marcos Damigo.

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